Em 2013 estreou nas telas de cinema uma série de filmes denominado “JOGOS VORAZES”, uma adaptação cinematográfica da trilogia do livro da autora americana Suzanne Collins que se tornou um dos campeões de bilheteria à época, por contar a história de uma sociedade em que grupos de pessoas eram escolhidas para defenderem seus “ distritos” por meio de um jogo morta,l ocorrido em ambiente cercado de recursos virtuais, cujo objetivo era sobrar apenas um participante restando aos demais tão somente a morte.
Assim, ao iniciar o “jogo”, a missão de cada jogador é sobreviver até o final independentemente dos meios utilizados, devendo matar quem se colocar no seu caminho, tudo isso sendo transmitido ao vivo para milhões de telespectadores pertencentes àquela sociedade fictícia criada na película, tendo ao fim um único participante vencedor, sagrando-se como um herói por matar e ser um sobrevivente de uma carnificina organizada, e que tem como prêmio o reconhecimento de todos e uma vida social com mais conforto e destaque nessa dita sociedade imaginária.
Pois bem, coincidentemente, razões que não me venham agora em mente, no mesmo ano de estreia dessa série do filme “ jogos vorazes”, o russo Philipp Budeikin criou uma comunidade on line que incitou o suicídio de 16 (dezesseis) e que ao ser preso confessou que foi o responsável pela criação da comunidade e que estava “ limpando a sociedade”.
Assim, teve início o jogo virtual “BALEIA AZUL”, tendo com um dos seus criadores o russo descrito acima, que consiste numa lavagem cerebral onde se buscam como alvos crianças e adolescentes vulneráveis e cujo tempo do jogo dura cerca de 50 (cinquenta) dias, devendo cumprir todas elas determinadas tarefas e, que ao final, como a última etapa deve o jogador cometer suicídio. Diferentemente, do que ocorreu nos filmes “ JOGOS VORAES” e que mesmo assim há uma banalização e fissuramento pela morte, mesmo que envolvam crianças e adolescentes, tornando-se “normal” a extinção de uma pessoa.
Esse tema sobre o jogo virtual “BALEIA AZUL” não é novidade entre nós, posto que foi amplamente divulgado e compartilhado entre grupos de mensagens e noticiários nacionais nos últimos anos, a questão que trago aqui é que, nós pais, estamos realmente fiscalizando e monitorando tudo que acontece com nossos filhos no que pese ao acesso às redes sociais e grupos de mensagens? Qual o limite que devemos respeitar quanto ao direito à privacidade de nossos filhos?
Antigamente, quem tem por volta de 40 anos ou mais, a grande preocupação de nossos pais era com nossas amizades com pessoas além dos muros de nossas casas, e, atualmente, vemos que nossos filhos não precisam mais sair de casa para incorrer em risco de vida.
E assim, com grande preocupação que vejo é a ausência de políticas públicas educacionais permanentes voltadas para as escolas e para a sociedade sobre esse fantasma que é a existência de comunidades e grupos assim nas redes sociais, e que nos assombra dentro de nossas residências de forma sorrateira e camuflada.

*Frederico Cortez- Advogado
Cortez&Gonçalves Advogados Associados.
www.cortezegoncalves.adv.br

Este artigo também foi publicado no Blog do Eliomar (JORNAL O POVO ON-LINE) em 07/08/2017 sob o título:JOGOS VORAZES E REDES SOCIAIS